Justiça nega despejo e famílias do MTST resistem em terreno com abandono reconhecido
03/06/2021 12:15 em Cidadania

Ocupação Carolina Maria de Jesus, na zona leste de São Paulo, é símbolo do empobrecimento das famílias brasileiras com a redução do auxílio emergencial


 

Brasil de Fato – Ao lado da neta, Priscila Gomes de Oliveira constrói o barraco de lona. Desempregada, a auxiliar de faxina de 34 anos, tem hoje como única fonte de renda um Auxílio Emergencial de R$ 375. “Você compra o básico do básico. Uma mistura, um leite, se der para comprar um Danone para a criança, nós compra, se não der, a gente não pode fazer nada. A gente está vivendo do básico. Fazia todas as refeições, hoje em dia, não faz uma direito”, afirma a jovem avó.

 

Com duas crianças para alimentar, Shirley da Silva Melo de Souza recebe o mesmo valor e tem a mesma dificuldade. “O valor do auxílio emergencial ter caído tanto, acabou tirando muito das crianças. Ficou literalmente quase só o arroz e o feijão, quando tem feijão”, explica a mãe solo, que trabalhava como operadora de telemarketing antes de ser demitida em 2020.

As duas mães resistem à fome e ao desemprego na ocupação Carolina Maria de Jesus, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), na Zona Leste de São Paulo. O espaço é um retrato do agravamento da vulnerabilidade das famílias brasileiras com a redução do auxílio emergencial. O benefício foi retomado pelo governo federal em 6 de abril, após 96 dias de interrupção. Mas a quantia é ínfima, e varia de  R$ 150 a R$ 375 mensais.

Em 18 dias, Ocupação Maria Carolina de Jesus, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), já ultrapassa 3000 famílias / Pedro Stropasolas

Crescimento populacional
O terreno, que fica no Jardim Iguatemi,  foi ocupado na madrugada do dia 15 de maio por 600 famílias. Dezoito dias mais tarde, a área já é habitada por mais de 3000 núcleos familiares.

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