Nada acontece depois do ‘eu autorizo’ a Bolsonaro e apoiadores mostram frustração
04/05/2021 11:04 em Política

Para analistas seguidores de Bolsonaro terão dificuldade de manter militância e expectativa frustrada começa a aparecer em grupos nas redes sociais

São Paulo – As manifestações a favor do presidente Jair Bolsonaro no dia 1° de maio, realizadas em algumas capitais do país, voltaram a preocupar setores progressistas. Com novos “convites” a militares tomarem o poder, reivindicação pelo voto impresso e ataques à “ditadura do STF”, o lema dos bolsonaristas no sábado foi “eu autorizo, presidente”. Foi a resposta ao “chamado” de Bolsonaro, que em 14 de abril, disse que estava aguardando “o povo dar uma sinalização” para agir, já que, completou, “o Brasil está no limite”. Porém, apesar de alguns desses atos, como o da avenida Paulista, ter sido grande, eles não impressionaram o analista de redes sociais Pedro Barciela. Ele avalia que o “eu autorizo” não extrapolou expectativas .

“Não vimos a participação de outros agrupamentos, de outros perfis de usuários que não os próprios do bolsonarismo radical, regular. O que houve foi uma reaproximação de vários clusters  bolsonaristas que, em momentos anteriores, tratavam de outros temas”, diz. Em sua avaliação, nas últimas semanas o bolsonarismo se dividiu em grupos. Um deles ficava com o tema Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente), outro focava no tema da CPI da Covid e ataques ao relator Renan Calheiros, por exemplo.

“Mas no dia 1° tivemos uma centralização da pauta na questão do ‘eu autorizo’ a Bolsonaro. Ficaram bastante tempo nessa convocação. Claro, é um volume de pessoas até certo ponto consistente com o bolsonarismo, mas não me surpreendeu”, afirma Barciela, apesar de reconhecer que chama a atenção o volume de interações constatado nas redes sociais. De acordo com o analista, o agrupamento bolsonarista costuma apresentar uma média de 3,1 no grau de cada “ator” no Twitter. Ou seja, cada usuário bolsonarista tem três conexões, em média: ele tuíta, comenta, é retuítado um vez, por exemplo. No sábado passado, esse índice foi muito maior, algo próximo de 12. Todo bolsonarista teria tido 12 conexões/interações, um valor considerado muito alto para o agrupamento.

Mas ainda assim, Barciela não vê motivo para pessimismo quanto ao que pode decorrer do “eu autorizo”, em termos de avanço das pautas reacionárias. Para ele, se está cada vez mais consolidado um núcleo duro do Bolsonarismo, a constatação não chega a ser novidade: está dada em pesquisas. “Bolsonaro tem uma base que chega a 25%, até de aprovação e intenção de voto. Nas redes, dificilmente o bolsonarismo, quando se propõe a polarizar algum tema, fica abaixo dos 30%. Mas o dia 1° não causa surpresa, embora provoque repulsa por ser um momento grave da pandemia e se viu um monte de gente sem máscara defendendo o indefensável“, diz. “Seja como for, a mobilização não causa espanto, porque eles bateram muito nessa tecla, para enfim culminar no 1° de maio. Sinceramente, acho que ficou até um pouco abaixo do que o bolsonarismo esperava para a data.”

WhatSapp e Telegram

Para Barciela, se a organização dos atos pelo “eu autorizo” a Bolsonaro passou despercebida pelo campo progressista e até surpreendeu, o problema para os seguidores do presidente agora é o quão mobilizados vão conseguir permanecer depois do “eu autorizo”. “Depois disso, se Bolsonaro não fizer nada, eles vão ter muita dificuldade de manter acesa a militância que voltaram a reagrupar no dia 1º.”

As análises são mais difíceis quando se trata de WhatSapp e Telegram, que disseminam informações apócrifas de forma mais invisível e insidiosa, no interior das famílias, pelos chamados “tiozões e tiazonas do zap”. Mas registros de grandes grupos bolsonaristas do Telegram, nesta segunda-feira (3), revelam frustração. “O bolsonarismo saiu às ruas no sábado (1/5) baseado em uma premissa: ‘autorizar’ o presidente a ‘agir’ após o dog whistle de Bolsonaro há 2 semanas. O bolsonarismo entendeu que ‘autorizou’. Mas, dado que nada mudou, uma expectativa frustrada começa a aparecer nos grupos’, afirma, no Twitter, Guilherme Felitti, fundador do @novelodata, estúdio de data analytics especializado em análise de grandes volumes de dados.

Em suas redes sociais, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), constatou já no domingo (2): “O presidente pediu um ‘sinal’. Então os apoiadores restantes deram o tal sinal (‘eu autorizo’). E o que acontecerá amanhã? A especialidade de Bolsonaro: NADA. No máximo, algumas bravatas no “cercadinho”. Depois, o ócio de sempre. Trabalho? Chance zero”.

Confira abaixo algumas reações colhidas pelo @novelodata:

 

 

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