Com Mandetta e Teich, CPI da Covid investiga como Bolsonaro atuou a favor do vírus
04/05/2021 11:01 em Política

Ex-ministros da Saúde devem revelar bastidores da primeira fase da pandemia, quando Bolsonaro já havia adotado a estratégia da chamada “imunidade de rebanho”. Acompanhe os depoimentos

São Paulo – Com os depoimentos dos ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro, a CPI da Covid inicia efetivamente os seus trabalhos nesta terça-feira (4). A partir das 10 horas da manhã, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich devem revelar aos senadores na CPI da Covid os bastidores da eclosão da pandemia do novo coronavírus no Brasil e como o governo do presidente Jair Bolsonaro agiu, desde o início, para sabotar as medidas recomendadas pela ciência para conter a propagação do vírus no país.

Mandetta foi demitido em abril de 2020, ao resistir a pressões para que a hidroxicloroquina fosse adotada como protocolo de combate à doença. Além disso, Bolsonaro se manifestou contra medidas de isolamento social e chegou a dizer que usar máscara era “coisa de viado”.

“Vamos contaminar logo todo mundo de uma vez”, teria dito Bolsonaro em encontro com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, durante a inauguração de um hospital de campanha, também em abril. Esse episódio foi relatado por Ugo Braga, ex-assessor de Mandetta, nesta segunda-feira (3) ao jornalista Luiz Costa Pinto.

De acordo com a médica sanitarista Lucia Souto, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e presidenta do Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), apesar de Mandetta ter votado, quando era deputado, a favor de medidas que contribuíram para o sucateamento do SUS, durante a pandemia ele adotou critérios baseados na ciência. Por outro lado, em entrevista ao 
Jornal Brasil Atual, Lucia afirmou que o governo Bolsonaro insistiu em “trabalhar a favor do vírus”.

A aposta era na chamada imunidade de rebanho, que seria alcançada quando a maior parte da população tivesse entrado em contato com a doença. Por isso, as ações deliberadas que facilitaram a circulação do vírus. Cerca de um ano depois, o equívoco dessa estratégia resultou em mais de 400 mil mortos pela covid-19 no Brasil.

Teich, ‘o breve’

Substituto de Mandetta, o médico Nelson Teich ficou apenas 29 dias à frente do ministério da Saúde. Apesar da sua rápida passagem, Lucia afirmou que o ex-ministro deve esclarecer à CPI os motivos que o levaram a pedir demissão. “O fato de ter ficado tão brevemente à frente do ministério não significa que ele não poderá portar à CPI informações muito importantes”.

“Essa CPI vai ter muito trabalho para realizar”, disse Lucia. Diante dessa tragédia, com mortos em “escala industrial”, ela afirmou que é necessário “mudar o rumo” das ações no Brasil. Nesse sentido, ela disse também que não é hora de relaxar as medidas restritivas adotadas por prefeitos e governadores. Com escassez de vacinas, o risco é que os números de mortos pela doença voltem a subir.

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