Dilma recusa convite de Doria para ser vacinada em evento de marketing: ‘É inaceitável furar a fila’
21/01/2021 20:49 em Saúde e Ciência

Dilma afirma ao governador paulista que “não há montante de vacinas disponível para que eu, agora, seja beneficiada.” Em comunicado, ex-presidenta também ressaltou importância do SUS, do Butantan e da Fiocruz, todos públicos

São Paulo – A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) recusou-se, “por razões éticas e de justiça”, a furar a fila da vacinação para participar de mais uma ação de marketing planejada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em torno da vacina contra a covid-19 CoronaVac. O tucano convidou Dilma para receber o imunizante durante um evento agendado para o dia 25 de janeiro, em Porto Alegre. Em seu blog (aqui), Dilma afirma que recusou o convite porque o Plano Nacional de Vacinação deve ser respeitado, assim como a fila. “E, se é certo que a vacinação já começou, não há montante de vacinas disponível para que eu, agora, seja beneficiada.”

“É inaceitável ‘furar a fila’, que deve ser estritamente respeitada por todos os brasileiros. Neste momento, considero imprescindível que sejam atendidos, de acordo com o Plano. Primeiramente os trabalhadores da área da saúde que estão na linha de frente da luta contra a Covid19. Além dos idosos que vivem em asilos e o grupo de idosos brasileiros mais expostos ao risco de adoecer gravemente ou morrer. Aguardarei pacientemente a minha vez e quero adiantar que já estou com o braço estendido para receber a CoronaVac”, destacou a ex-presidenta.

Valorizar o SUS

 

Além de pedir respeito à fila, Dilma aproveitou a nota para denunciar a política neoliberal do governo de Jair Bolsonaro. Ela ressalta ainda os ataques ao serviço público de saúde que pretendem a destruição do Sistema Único de Saúde (SUS). Assim como de órgãos de pesquisas vitais como o Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ambos estão tendo papel primordial durante a pandemia do novo coronavírus.

Confira íntegra da nota

Recebi o convite do governador de São Paulo para ser vacinada com a CoronaVac no dia 25 de janeiro, em Porto Alegre. Agradeço, mas diante das circunstâncias tenho o dever de recusar a oferta, por razões éticas e de justiça. O Plano Nacional de Vacinação deve ser respeitado e, se é certo que a vacinação já começou, não há montante de vacinas disponível para que eu, agora, seja beneficiada.

É inaceitável “furar a fila”, que deve ser estritamente respeitada por todos os brasileiros. Neste momento, considero imprescindível que sejam atendidos, de acordo com o Plano, primeiramente os trabalhadores da área da saúde que estão na linha de frente da luta contra a Covid19, além dos idosos que vivem em asilos e o grupo de idosos brasileiros mais expostos ao risco de adoecer gravemente ou morrer. Aguardarei pacientemente a minha vez e quero adiantar que já estou com o braço estendido para receber a CoronaVac.

Faço questão de prestar tributo à contribuição do SUS, do Butantan e da Fiocruz, que são tão importantes e estratégicos para a saúde pública no Brasil e para o desenvolvimento das vacinas. Denuncio todos aqueles que, ao longo dos últimos anos, tentaram destruí-los, seja por restrição de recursos orçamentários, seja por visão preconceituosa, como ficou claro na saída dos médicos cubanos, seja por defender propostas privatistas.

Enalteço o SUS

Enalteço o trabalho dedicado dos epidemiologistas, biólogos, infectologistas, pesquisadores e servidores do sistema SUS, em especial da Fiocruz e do Butantan, cuja qualidade é reconhecida internacionalmente. Estendo estas homenagens e agradecimentos a todos os que se dedicam a combater esta pandemia que, por desleixo e desumanidade do governo federal, já roubou a vida de mais de 210 mil pessoas e está matando brasileiros até mesmo por falta de oxigênio. Por fim, reconheço e saúdo a solidariedade e a atitude humanitária do governo chinês, que proporcionou a parceria entre o Estado São Paulo/Butantan e o laboratório Sinovac para a importação e a fabricação das vacinas em nosso país. É uma vitória da cooperação entre os povos e da ciência e uma derrota do negacionismo.

 

DILMA ROUSSEFF

 

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