Trabalhadores promovem fórum para debater situação atual do Porto de Santos e novo PDZ
27/11/2019 01:18 em Porto

Evento promovido pela Fundação Settaport e o Fórum da Cidadania de Santos ocorreu nesta segunda-feira (25).

O novo Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) e a relação entre cidade e terminal portuário foram os principais assuntos debatidos no fórum 'A cidade que temos e o Porto que queremos', realizado na tarde desta segunda-feira (25), no Mendes Convention Center, em Santos, no litoral de São Paulo. O evento contou com a presença de trabalhadores, sindicatos, autoridades políticas, além de alunos de universidades.

O encontro, promovido pela Fundação Settaport e o Fórum da Cidadania de Santos, tem por objetivo coletar informações e discussões sobre temas relacionados aos terminais portuários, e também sobre a relação Porto e cidade, algo que não tem acontecido com frequência.

"Em 127 anos do Porto, nunca houve um encontro que envolvesse a cidade, sociedade civil e os trabalhadores. Não somos contra a movimentação de cargas, mas é preciso ter sinergia com a cidade", explicou Chico Nogueira, presidente do Settaport e vereador de Santos. 

"A Libra encerrou suas atividades e ainda não tem perspectiva de ter um outro terminal de contêineres. Se fala somente na produção de granel e celulose. Isso não é discutido com a cidade, e esse é o objetivo principal do encontro", concluiu Nogueira.


A partir do fórum, será redigida uma proposta, que será apresentada para a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a autoridade portuária santista, ao Governo do Estado e, também, para o Governo Federal.

"Temos o apoio da Câmara Municipal de Santos e de Guarujá. Vamos buscar ajuda dos deputados federais e estaduais da região, e de fora da região, também, que se comprometam com o desenvolvimento sustentável, que gere empregos e distribua renda para a região. Que isso chegue ao ministro dos Transportes, ao governador do estado e até ao presidente da República", conclui.


Os painéis de debate contaram com a presença de autoridades sindicais e trabalhadores portuários, que levaram faixas e cartazes.


“Parte do setor empresarial não ouve as propostas e o debate dos trabalhadores. Vários eventos promovidos por esse setor proíbem nossa participação. Queríamos eles aqui, para justamente discutir a atual situação do Porto, que não está bem, apesar de eles mostrarem um Porto em situação diferente”, disse Rodnei da Silva, o Nei da Estiva, presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos.


Painéis


O primeiro dos três painéis debateu o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos, com a apresentação de Carlos Alberto Wanderley Nóbrega, ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Ele explanou sobre os planos de anos antecedentes e fez uma comparação com o atual plano, que será apresentado em fevereiro do ano que vem.

Palestrou também no primeiro painel Mônica Antônia Viana, arquiteta e urbanista, que fez uma apresentação sobre a relação Porto e cidade, e Eduardo Lustosa, diretor da Associação dos Engenheiros de Santos.

Chico Nogueira, representando o Settaport, que também participou da primeira parte do seminário, lamentou a não presença do presidente da Codesp, Casemiro Tércio de Carvalho, que teve o nome vaiado pela plateia quando anunciado, e dos deputados federais e estaduais da região, que também não compareceram.

Ao lado de Rodnei da Silva, Nogueira debateu a participação dos trabalhadores, além da questão dos direitos e o efetivo de trabalho. O painel também teve a participação de Douglas Martins, consultor jurídico, que criticou fortemente o atual PDZ da Codesp, dizendo que se não mudar completamente, o trabalhador será novamente prejudicado.


Nei da Estiva também lamentou a não participação de pessoas ligadas à autoridade portuária. Fecharam a mesa de debates Aureo Pascoaleto, diretor da Universidade Santa Cecília; e Alexsandro Viviani, o Italiano, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens (Sindicam) da Baixada Santista e Vale do Ribeira.


O terceiro e último painel teve como tema as operações no Porto e seus impactos ao meio ambiente, uma vez que a movimentação de grãos a granel vem se intensificando em terminais portuários.


Isso tem sido motivo de preocupação para moradores de bairros vizinhos ao complexo portuário, como a Ponta da Praia, que sofrem com a poluição do ar causada pela movimentação de grãos a granel.


Participaram do painel Daury de Paula Júnior, ex-promotor do Estado de São Paulo; Renato Prado, do Conselho Municipal do Meio Ambiente; Luis Antonio da Silva, presidente do Conselho Municipal de Saúde de Santos e representante da Associação dos moradores da Ponta da Praia; e Ana Paula Viveiros Valeiras, chefe do Departamento de Vigilância em saúde de Santos.

Fonte: G1/Santos - Foto: Carlos Nogueira/Jornal A Tribuna de Santos

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