Greenpeace dos EUA questiona Salles sobre queimadas ‘potencializadas’
01/11/2019 07:53 em Ambiente

Bolsonaro admitiu a investidores árabes ter "potencializado queimadas" por discordar de políticas anteriores. Confissão causou indignação

São Paulo – O diretor de campanhas para florestas do Greenpeace dos Estados Unidos, Daniel Brindis, cobrou explicações do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a confissão de Jair Bolsonaro. A investidores árabes, Bolsonaro admitiu ontem (30) ter “potencializado” queimadas na Amazônia por discordar de políticas anteriores. “Bolsonaro em um evento para investidores na Arábia Saudita disse que ‘maximizou/aprimorou’ os incêndios na Amazônia brasileira porque discordou das leis ambientais de governos anteriores. Te interessa esclarecer, @rsallesmma”, escreveu ao ministro por meio de seu perfil no Twitter. Até a conclusão da reportagem, o ministro não havia respondido.

Daniel Brindis@DanielBrindisGP
 
 

Bolsonaro at an event to investors in Saudi Arabia said that he "maximized/enhanced" the fires in the Brazilian Amazon because he disagreed with the environmental laws of previous governments. Care to clarify @rsallesmma ? https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2019/10/30/bolsonaro-diz-que-potencializou-queimadas-por-nova-politica-para-amazonia.htm 

Bolsonaro diz que 'potencializou' queimadas por nova política para Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou hoje em evento a investidores na Arábia Saudita ...

noticias.uol.com.br
 
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Salles e o entidade ambiental têm estado em pé de guerra nas últimas semanas. Primeiro o gestor da pasta do Meio Ambiente provocou a organização, que não estaria entre os voluntários para a limpeza do óleo, que avança sobre o litoral do Nordeste desde 30 de agosto. Dias depois, insinuou que o óleo responsável pela maior tragédia ambiental em toda a região teria sido despejado por um navio pertencente à ONG, que no último dia 25 anunciou que iria à Justiça.

A declaração de Bolsonaro aos árabes (confira no vídeo abaixo, a partir do do minuto 17), causou muita indignação, como a da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva que defendeu medidas judiciais contra Bolsonaro.

 

 

Em entrevista ao site brasileiro do jornal alemão DW, o professor da Faculdade de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salem Nasser, doutor em Direito Internacional e especialista em assuntos do Oriente Médio, afirma que a aproximação de Bolsonaro com a Arábia Saudita tem mais a ver com o alinhamento do brasileiro aos Estados Unidos do que com pragmatismo geopolítico.

O site observa que o momento mais comentado da visita de Boslonaro foi uma declaração sua de que o líder da Arábia Saudita, Mohammad Bin Salman, seria “um irmão”. “O príncipe herdeiro do trono saudita é acusado de ordenar o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado de seu país na Turquia, em outubro do ano passado e o governo saudita regularmente encarcera ativistas pelos direitos das mulheres”, diz a reportagem.

Na entrevista, o especialista da FGV nota ainda a incoerência do governo brasileiro: “Não está claro, em absoluto, por que corresponde aos interesses políticos e econômicos brasileiros conversar com os sauditas e considerar o Irã um pária. O Irã é maior comprador nosso do que todos esses países árabes vistos singularmente. O superávit é muito maior”, explica”. (Leia íntegra aqui.)

Confira algumas das manifestações na redes

Marina Silva @MarinaSilva
 
 

O Presidente disse no exterior que potencializou as queimadas por não se identificar com as “políticas anteriores adotadas no tocante à Amazônia”. Essa confissão é gravíssima e precisa ser respondida judicialmente. https://oglobo.globo.com/sociedade/a-investidores-bolsonaro-diz-ter-potencializado-queimadas-na-amazonia-24050860 

A investidores, Bolsonaro diz ter 'potencializado' queimadas na Amazônia

Em palestra na Arábia Saudita, presidente diz que fogo 'é da cultura do povo nativo' e que repercussão aconteceu 'porque eu não me identifiquei com políticas anteriores'

oglobo.globo.com
 
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