‘Governo autoritário não suporta população crítica’, diz presidente da UNE, sobre Bolsonaro
14/08/2019 08:39 em Educação

Estudantes e trabalhadores saem às ruas em mais um tsunami da educação. Para eles, governo de de Bolsonaro escolheu ensino público como alvo principal

São Paulo – A terceira mobilização nacional de estudantes contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) já reuniu milhares de pessoas no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo. Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, o governo escolheu a educação como inimiga. “A educação possibilita o pensamento crítico. Governos autoritários não suportam uma população crítica. Atacam a universidade para destruir, também a ciência”, disse, enaltecendo o processo de resistência no terceiro “tsunami da educação”.

Repetindo as manifestações de 15 e 30 de maio, a juventude rechaça os cortes no orçamento da educação, determinados pelo ministro Abraham Weintraub, e o projeto Future-se, que condiciona o financiamento das universidades públicas ao interesse empresarial. “Esse projeto não foi debatido. Nem os reitores sabiam sobre ele. Parte de um vício de método. No fundo, significa uma desresponsabilização do Estado de financiar a universidade pública. Querem aumentar o financiamento privado, para tornar a universidade dependente das empresas”, criticou Iago.

O Future-se foi recebido como um caminho para a privatização do ensino. Entre outras coisas, a proposta liquida a autonomia universitária, coloca a existência de muitos cursos em risco, permite que os empresários selecionem o que querem apoiar e deduzam os valores dos impostos. Além disso, esse investimento não será feito diretamente na universidade, mas em um fundo de investimentos gerido por uma organização social (OS) privada.

Cortes

Em março, Bolsonaro e Weintraub determinaram o congelamento de R$ 5,8 bilhões do orçamento da educação.
No mês seguinte, o Ministério da Educação (MEC) bloqueou R$ 1,7 bilhão dos orçamentos próprios das universidades federais, o que afetou o pagamento de contas de água e luz, funcionários terceirizados, obras, equipamentos, bolsas e pesquisas. Apesar de não suspender salários, a medida inviabiliza o funcionamento das instituições. No dia 30 de julho foram congelados mais R$ 348 milhões, destinados a livros didáticos. E no último dia 6, projeto de Bolsonaro encaminhado ao Congresso “remaneja” mais R$ 3 bilhões dos ministérios, sendo um terço disso das universidades.

 

 

consequência direta dessas medidas já é sentida por professores e estudantes. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) teve 6 mil bolsas de pesquisas suspensas. A Universidade Federal da Bahia (UFBA) passou a fechar mais cedo para economizar água e energia e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pode parar algumas atividades em breve.

Para o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, “os cortes representam o desmonte. Representam o rebaixamento das condições de trabalho dos profissionais da educação. Vai representar um desmonte na pesquisa, extensão. É um retrocesso para a educação brasileira e o conjunto da política do que é apresentado pelo governo federal. Aponta para um processo de sucateamento e privatização do ensino público federal. É lamentável, pois a Educação é setor estratégico para que um país supere problemas e avance”.

O cenário pede organização e luta, como afirmou o presidente do PT de São Paulo, Luiz Marinho. “Juntos vamos derrotar esse governo que persegue estudantes, professores, trabalhadores, negros, população LGBT, indígenas, juventude, movimentos sociais, MST. Enfrentamos não apenas um governo que pensa diferente, enfrentamos um governo que quer implantar uma ditadura (…) Querem destruir políticas públicas construídas a duras penas.”

Organização

Iago chegou cedo para o ato, que estava com concentração marcada para as 16h. Ele disse que no dia 7 de setembro uma nova ação de estudantes e trabalhadores deve balançar o governo Bolsonaro. “Aproveitaremos o dia para pedir a independência do país deste governo”, disse, em referência à data em que é comemorada a Independência do Brasil.

“Estamos nas ruas para defender a educação e também a democracia brasileira, o meio ambiente, que têm sido tão atacados por este governo”, disse Iago. “Sobretudo, exigimos a devolução do dinheiro que foi cortado por este governo na educação. Preferem transferir dinheiro da educação para parlamentares aprovarem a reforma da Previdência do que investir nas nossas universidades e escolas. Viemos nos contrapor a isso e dizer que é preciso investir, é preciso devolver o dinheiro da educação brasileira”, completou.

“Hoje, a educação é o setor sob maiores ataques. Seja com a reforma da Previdência que arrebenta os professores, que aumenta o tempo de contribuição e prejudica uma categoria majoritariamente de mulheres. Outra questão é que a educação vem sofrendo ataques sistemáticos dos governos. O governo federal elegeu a educação como pior inimigo. Estamos nas ruas para rechaçar esse governo que tem medidas que favorecem uma camada muito pequena da população, os grandes empresários”, diz Michele Silva, professora de Sociologia.

A estudante Kawany Silva, de 15 anos, teme pela educação pública. Ela é estudante de uma Etec, em São Paulo. “Temos riscos de perder cursos, especialmente a orientação comunitária. Está complicado, nossa administração está em risco. Muitas universidades também correm risco de fechar. A juventude precisa de pensamento crítico e para isso, precisa de universidades boas. As pessoas dos extremos precisam de mais oportunidade.”

Fonte: Rede Brasil Atual

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