Sócio oculto do FIB Bank é internado e motoboy depõe em seu lugar
01/09/2021 10:32 em Política

Advogado Marcos Tolentino, amigo do deputado Ricardo Barros, líder do governo na Câmara, informou à CPI que passou mal na noite de ontem. Motoboy que depõe hoje pagou boletos de dívidas do diretor de logística do Ministério da Saúde

São Paulo – O empresário Marcos Tolentino, previsto para depor nesta quarta-feira (1°) na CPI da Pandemia, informou aos senadores que está internado após ter passado mal ao dirigir-se a Brasília na noite de terça-feira (31). Com isso, segundo confirmado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) ao analista Gustavo Uribe, da CNN, a comissão irá ouvir o motoboy Ivanildo Gonçalves, que trabalha para a VTCLog e era originalmente esperado na CPI ontem.

Ao abrir a sessão de ontem, os senadores endossaram a necessidade de investigação sobre a VTCLog, operadora logística de fármacos contratada pelo Ministério da Saúde. Os parlamentares apontaram que além do então diretor de logística da pasta, Roberto Ferreira Dias, pagar além do recomendado à empresa, o motoboy da operadora pagou boletos em benefício de Dias.

Marcos Tolentino

O advogado e empresário Marcos Tolentino, que deporia hoje, seria sócio oculto do FIB Bank e avalista do contrato da Precisa Medicamentos com o Ministério da Saúde para aquisição da vacina indiana Covaxin, fabricada pela Baraht Biotech. A carta de fiança apresentada pelo FIB Bank para dar cobertura à operação contém irregularidades e representa R$ 80,7 milhões, ou 5% do valor contratado.

Tolentino é amigo do líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Outro fato que indica que Tolentino deve ser o sócio oculto do FIB Bank é que essa empresa fez transferências de R$ 1,91 milhão a uma empresa colocada no nome da mãe de Tolentino.

Nesta quarta, a Folha de S.Paulo mostrou que Tolentino já esteve envolvido com lavagem de dinheiro. O empresário tem um acordo de delação firmado no âmbito da Operação Ararath, em Mato Grosso, no qual se comprometeu a pagar R$ 3 milhões aos cofres públicos para obter perdão judicial.

Dessa quantia, um terço foi destinada em 2020 por um juiz federal para a construção de um laboratório de testes da Covid-19 no estado.

“Tolentino, que é dono do canal de TV Rede Brasil, se tornou réu em 2016 acusado de lavagem de dinheiro em um processo que aborda a compra de vagas no Tribunal de Contas do Estado”, afirma o jornal.

Em 2018, fechou um acordo homologado pela Justiça no qual o Ministério Público Federal estipulou que ele não poderia sair do país sem autorização judicial. Em 2014, um de seus endereços havia sido alvo de buscas da Polícia Federal na Ararath —ele não foi preso.

Lobista da Precisa Medicamentos

Já na quinta-feira (2), conforme o relator da comissão, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), será ouvido Marconi Ribeiro, identificado pelos membros da Comissão como lobista da Precisa.

“E nós vamos, na medida do possível, acrescentando esses outros depoimentos. Se precisar ouvir dois por dia, três, não importa. O Importante é que nós tenhamos os depoimentos dessas pessoas porque eles são importantes para configurar muitos fatos”, disse o relator.

Para Renan, até o momento, a CPI desempenhou um “papel importantíssimo” por ter provocado impacto em todas as áreas, sobretudo no avanço da vacinação.

“O Brasil, se não fosse a vontade criminosa do presidente da República, teria sido um dos primeiros países a vacinar no mundo. E ele recusou a aquisição de vacina na hora certa e isso agravou o morticínio. E, apesar dos avanços, nós temos que cobrar que se avance cada vez mais”.

Com informações da CNN, Folha de S.Paulo e da Agência Senado

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